Um clínica para um contingente social
marcado pelo traço da “exclusão social” nas suas mais diferentes formas.
Nossa prática clínica busca estender
a prática da psicanálise fora dos consultórios privados, alcançando
instituições e serviços das mais variadas naturezas. Uma prática que não ocorre sem muitas questões. O exercício crítico e o esforço a uma teorização
rigorosa da clínica, possibilita o avanço dessa prática. Não se confunde com a psicanálise pura, mas também, não independe das teorizações produzidas a partir desta. No "Ato de Fundação da Escola Francesa de Psicanálise" em 21 de junho de
1964, Lacan divide sua Escola em três seções: Seção de Psicanálise Pura, Seção
de Psicanálise Aplicada e Seção de Recenseamento do Campo Freudiano.[1]
O CLAC - Centro Lacaniano de Atendimento e
Consultas visa essencialmente assumir um contingente social marcado pelo traço
da exclusão social nas suas mais diferentes formas.
O sujeito contemporâneo apresenta por meio de seus sintomas um caráter deficitário destes que, de certo modo, favorecem a incidência de intervenções medicamentosas e curativas de todas as espécies[2]. Em consequência disso, os psicanalistas se deparam com uma exigência à certa tomada de posição frente a novas formas de mal-estar, e, ao oferecimento de uma clínica compatível com este quadro. O projeto que constitui a Rede de Psicanálise Aplicada não trata apenas de escutar estes pacientes, o que por si só já produziria alívio em suas urgências subjetivas, mas como nos bem lembra Serge Cottet, o trabalho ocupa-se, portanto, de “ouvir e saber do que se trata” [3].
O sujeito contemporâneo apresenta por meio de seus sintomas um caráter deficitário destes que, de certo modo, favorecem a incidência de intervenções medicamentosas e curativas de todas as espécies[2]. Em consequência disso, os psicanalistas se deparam com uma exigência à certa tomada de posição frente a novas formas de mal-estar, e, ao oferecimento de uma clínica compatível com este quadro. O projeto que constitui a Rede de Psicanálise Aplicada não trata apenas de escutar estes pacientes, o que por si só já produziria alívio em suas urgências subjetivas, mas como nos bem lembra Serge Cottet, o trabalho ocupa-se, portanto, de “ouvir e saber do que se trata” [3].
Considerando a conjunção entre gozo
obscuro e precariedade que assola frequentemente estes sujeitos, a escuta analítica que se produz nestes centros de atendimento de rede aplicada visa separar o sujeito da desordem que o afeta. Nesse sentido, ainda afirma Serge Cottet: “o mito que o próprio sujeito constrói sobre o fundo de um
infortúnio real pode ser desfeito com a ajuda de um outro e gerar benefícios”[4],
não sendo necessário um tempo indefinido para essas retificações subjetivas.
Como dissemos acima, não se trata, portanto, de uma psicanálise pura. Entretanto, o rigor com que se trata um caso clínico deve ser de tal equivalência. De modo a buscar a
redução do caso até sua particularidade mais extrema, fazendo a percepção do analista transitar ao
plano do conceito e o fenômeno ao plano
do matema[5].
Equipe CLAC
Centro Lacaniano de Atendimento e Consultas.
Centro Lacaniano de Atendimento e Consultas.
[1]
LACAN ,J (1964/2003) Ato de Fundação. .In: Outros
Escritos. Pp. 235-239. Rio de janeiro. Jorge Zahar Editor.
[2]
MILLER, J.- A. (2004) Uma fantasia. In Opção
Lacaniana
[3]
COTTET, S (2005). A aceleração dos efeitos terapêuticos em psicanálise. In. Efeitos terapêuticos na Psicanálise Aplicada.
P45. Rio de Janeiro. UFRJ/Contra
Capa.
[4] Idem p.46.
[5] MILLER, J-A. (2005). Effets Théraputiques Rapides en Psychanalyse. La
Conversation de Barcelona. 51Postface de Pierre-Giles Gueguén.
P.148. Paris. Navarin.
